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Reflexões sobre a fé › 08/03/2020

Jesus Cristo (Cristologia – Jesus dos 12 aos 30 anos)

Rio de Janeiro, 06 de março de 2020.

Nos Evangelhos há uma lacuna referente à vida de Jesus entre seus 12 e 30 anos que tem chamado à atenção e provocado explicações conjeturais da parte dos estudiosos. Para melhor entender essa ausência é oportuno estabelecer a diferença entre biografia e Evangelho. Biografia começa pelas origens (nascimento, infância…) da personagem apresentada. Ela narra à adolescência, os seus estudos e os anos de maturidade… Descreve as principais façanhas desse indivíduo e, finalmente, refere o acaso terrestre do mesmo. Segue o seguinte esquema: Nascimento (1) – Infância (2) – Adolescência (3) – Maturidade (4) – Declínio (5).
Já os Evangelhos foram escritos por quem não tencionava biografar a vida de Jesus no seu sentido moderno. Os evangelistas queriam fazer eco escrito à pregação oral dos Apóstolos referentes a Jesus de Nazaré. A pregação oral anunciava em primeiro lugar a Páscoa de Cristo, isto é, a sua Paixão, Morte e Ressurreição, com o seu máximo valor salvífico para os homens. Era o mais importante que os Apóstolos tinham a apregoar.
A doutrina dos evangelistas foi concebida de maneira mais ou menos sistemática (Mateus foi o mais sistematizador dos evangelistas), ficando a cronologia e a topografia desse anúncio, não raro, subordinados ao intuito catequético dos autores sagrados. Por isso é que nos Evangelhos só há, na grande maioria dos textos, a narração do que Jesus disse e fez nos três anos de sua vida pública, que começa com o seu Batismo e tem desfecho com o ministério da sua Páscoa.
Marcos é o evangelista que se conforma exatamente a esse esquema: começa a sua narrativa com o Batismo de Jesus ministrado por João Batista. Termina com a Ascensão do Senhor depois da sua Ressurreição e aparição aos Onze. Já o Evangelho de João é o que mais se aproxima da autêntica cronologia e da topografia dos três anos de vida pública de Jesus. Contudo, esse é considerado o Evangelho mais profundamente teológico.
Esquema do Evangelho: Páscoa [morte e ressurreição] (1) – Vida pública [síntese da mensagem] (2) – Infância [traços esparsos gratuitamente] (3).
A partir da diferenciação entre biografia e Evangelho há de se concluir que não há um problema sobre a omissão da vida de Jesus dos 12 aos 30 anos. Lucas cita que Jesus, aos doze anos de idade, esteve em Jerusalém entre os doutores do Templo (cf. Lc 2,41-52). Depois nada mais diz. Igual procedimento tem os outros evangelistas, cujas obras têm início a partir da vida pública de Jesus, aos trinta anos aproximadamente (cf. Lc 3,23). Esse silêncio deve ser entendido no sentido de que os arautos da Boa-Nova (os Apóstolos) viam-se incitados a narrar somente as grandes linhas da doutrina ensina por Cristo durante os três anos de sua vida pública.
O que acontecera a Jesus antes do Batismo conferido por João Batista ficava fora do âmbito considerado por eles. Ou seja, não interessava diretamente à finalidade catequética e pastoral que eles mesmos receberam como missão do próprio Cristo (Cf. Mt 28,18-20). Por isso, esse período também era habitualmente silenciado pelos pregadores do primeiro século da Igreja, ficando os limites da pregação assinalados pelo Batismo ministrado por João Batista e a glorificação de Cristo (Paixão, Morte, Ressureição e Ascensão).
Se, pois, nos evangelistas Mateus e Lucas encontra-se algo da infância de Jesus, é porque os textos são adicionados ao esquema da catequese. São apêndices, embora iniciem os escritos. Cada qual destes evangelistas houve por bem escolher da tradição anterior esses poucos episódios referentes à Maria, José, Zacarias, Isabel, João Batista e Jesus, sem se julgarem obrigados a narrar tudo quanto ocorrera antes dos 30 anos de vida de Jesus. Esta lacuna entre os 12 e 30 anos não é pelo fato dos Apóstolos ignorarem o que Jesus fizera (cf. Mt 13,53-56; Mc 6,2s), mas unicamente pelo fato de que não intencionavam abordar o assunto.

Resumindo: Os Evangelhos não tem caráter de biografia, mas sim o propósito pastoral e catequético desejado pelo próprio Jesus. Por isso, não é problema a omissão do período da vida de Jesus entre os seus 12 e 30 anos.

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