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Reflexões sobre a fé › 08/11/2019

FÉ (cont.)

Rio de Janeiro, 08 de novembro de 2019.

Já vimos que a fé é uma virtude sobrenatural pela qual, apoiados sobre a autoridade de Deus, atraídos e ajudados por sua Graça, tomamos por absolutamente verdadeiro tudo o que Ele revelou. Na Igreja Católica, guardiã do depósito da fé (cf. CIC 84), a Revelação compreende os textos da Sagrada Escritura cujo Deus é o próprio autor (cf. CIC 106) e os ensinamentos de Jesus diretamente aos Apóstolos (cf. Jo 21,24s; CIC 74). Cabe ao Sagrado Magistério da Igreja, principalmente na pessoa do primeiro Papa e seus sucessores, interpretar a Sagrada Escritura e dizer o que compõe e o que não compõe as verdades da fé e da moral católica (cf. CIC 85).
Como vemos, o ato de fé é a recepção consciente e voluntária da Revelação Divina, tal como ela é apresentada ao homem pela Sagrada Escritura, pela Sagrada Tradição e pelo Sagrado Magistério. Portanto, é um dos erros do Modernismo, condenado por São Pio X, em 1907, na encíclica Pascendi, dizer que a fé é um sentimento emergente do subconsciente que exprime a necessidade do divino.
A fé que leva o crente a pedir o Batismo a Igreja é importante e necessária para se alcançar a salvação, como expresso na Sagrada Escritura: “Aquele que crer e for batizado, será salvo; o que não crer será condenado”; Mc 16,16. A Epístola aos Hebreus diz que a fé agrada a Deus: “Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável”; Hb 11,6. Mas, os próprios Apóstolos já advertiam sobre a dificuldade se viver a verdadeira fé:

“Pois virá tempo em que alguns não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, segundo os seus próprios desejos, como que sentindo comichão nos ouvidos, se rodearão de mestres. Desviarão os ouvidos da verdade, orientando-os para as fábulas.”; 2Tm 4,3s.

No tempo da Igreja as verdades da fé são definidas e resumidas pelo Magistério nos Símbolos ou Credos. A Igreja sempre os apresentou, e os apresenta, ensinando aos seus fiéis às razões da fé ou em que devemos crer (cf. CIC 192). Contudo, é importante salientar que nenhum dos Símbolos, mesmo pertencendo ao passado, pode ser julgado ultrapassado ou inútil. Eles ajudaram e ajudam o fiel católico a viver a mesma e sempre doutrina de fé. A vivida por muitos santos e santas ao longo da história (cf. CIC 193). Assim, atualmente na Missa se professa o Símbolo Apostólico no Tempo Comum e o Símbolo Niceno-constantinopolitano nas Solenidades e parte do Advento e Quaresma. Este Símbolo foi definido pelos Concílios de Nicéia (325 d.C.) e Constantinopla (381 d.C) para combater as heresias na Igreja nos séculos II a IV.
Credo Niceno-Constantinopolitano
“Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”

Símbolo Apostólico
“Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, e na vida eterna. Amém.”

O Símbolo dos Apóstolos parece dizer pouco sobre o Espírito Santo. Mas, isto é uma falha na tradução do texto grego para o latim e depois para o português. O estudo das origens desse Símbolo mostra que ele provém do rito do Batismo antigo. Este sacramento era ministrado imergindo-se três vezes o catecúmeno na água da piscina batismal. Antes de cada imersão, o celebrante perguntava: ‘Crês em Deus Pai?’; ‘Crês em Deus Filho?’; e ‘Crês no Espírito Santo’.
A terceira interrogação, já no fim do século II, foi ampliada de modo a se dizer: ‘Crês também no Espírito Santo, no seio da Santa Igreja (em te hagía ekklesía) para a ressurreição da carne?’. A Tradição Apostólica de S. Hipólito Romano em meados do século III era mais explícita: ‘Et credis in canctum, bonum et vivificantem spiritum purificanten universa in sancta Ecllesia?’, isto é: ‘Crês no Santo, bom e vivificante Espírito, que purifica todas as coisas no seio da Santa Igreja?’.
Esta terceira parte foi sendo acrescida de novos enunciados sobre o Espírito Santo. Eles estão presentes na fórmula, mas ocultamente. Assim, se deveria ler o final do Credo do seguinte modo: “Creio no Espírito Santo (que existe e opera) na Santa Igreja Católica (a qual é) a Comunhão dos Santos, (para que haja) a remissão dos pecados (em vista de) a ressurreição da carne e (de) a vida eterna” (cf. Escola Mater Ecclesiea. Curso de ECLESIOLOGIA. Introdução. Módulo I).

Resumindo: A verdadeira fé Revelada é a que leva a salvação e nos é apresentada de forma reduzida pelo Magistério da Igreja nos Símbolos ou Credos da Fé.

Diácono Rogério

Uma resposta para “FÉ (cont.)”

  1. SONIA MARIA VIEIRA VALENTE disse:

    Muito interessante e esclarecedor esse ensino sobre o Credo, orientando sobre a razão da nossa fé.

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