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Reflexões sobre a fé › 11/10/2019

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2019.
A grande questão envolvendo Deus, a humanidade e a fé é a célebre pergunta: Deus existe e como posso provar a sua existência?

É bem verdade que somente pela razão expressa nas ciências não conseguimos provar a existência de Deus. Mas, podemos afirmar a sua existência no sentido das ‘vias’ que permitem chegar a ele, como ensina o Catecismo da Igreja Católica: “Chamamo-las também de ‘provas da existência de Deus’, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de ‘argumentos convergentes e convincentes’ que permitem chegar a verdadeiras certezas”; CIC 31.
As ‘vias’ sobre a existência real de Deus têm como ponto de partida o mundo material e a pessoa humana. O mundo material a partir do movimento, do devir, da contingência, da ordem e da sua beleza. A pessoa humana com a sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade.

As provas metafísicas de S. Tomás de Aquino , expressas na sua Suma Teológica, partem da realidade objetiva do universo. As provas morais partem da realidade moral recorrendo a princípios metafísicos. Ambas são concebidas a partir de demonstrações a posteriori, ou seja, a partir da experiência com Deus, e não a priori, ou seja, a partir do conceito mesmo de Deus segundo S. Anselmo e alguns antologistas.
Na estrutura geral da prova metafísica sempre há um fato real, percebido nitidamente em suas notas concretas. Este fato real é o encadeamento de seres ou fenômenos que se sucedem e se misturam uns aos outros e, assim, formam séries que têm seus anéis solidamente articulados. Tal fato é chamado ‘o condicionamento universal’. Existe sempre uma causa absolutamente primeira, não condicionada nem contingente. Essa causa primeira é real, porque o ponto de partida do raciocínio é real e não apenas um conceito mental. Ela é única, porque infinitamente perfeita, não depende de outra. Então, chega-se a Deus como essa causa primeira de tudo que existe.

Primeira Via de São Tomás de Aquino : Movente Imóvel (Motor Imóvel).
São Tomás partiu do conceito do movimento presente no mundo. Não significa apenas o deslocamento, mas no sentido geral de mudança ou de passagem da potência para o ato (a madeira que vira carvão, o cabelo que cresce…). É o vir-a-ser que caracteriza as coisas deste mundo. É o movimento de transformação, de mudança da coisa ou do ser. Mas, para haver a mudança a coisa é movida (vai ao encontro) daquilo que a modifica. A mudança requer receber algo que não se tem. Logo, a origem está fora do próprio movido.

Para que alguma coisa ou ser se mova ou mude, deve receber de outro algo que não tem. Esse outro ser se chama movente. Isso porque ninguém dá a si mesmo o que não possui. Nesta série de seres movidos-moventes, não é possível proceder ao infinito. Por isso tem que haver um primeiro movente que não seja movido por outrem, mas que tenha em si mesmo a razão de ser do movimento. É o primeiro movente imóvel, absoluto. Este movente imóvel absoluto é Deus.

Para melhor entendimento, na série movente-movido há sempre aquele que inicia o movimento. Numa cascata de dominó a sequência de quedas só se inicia a partir da primeira queda ou do primeiro movimento. Ainda que se aumente o número de peças de dominó (e é impossível chegar ao infinito), se a primeira não se mover não haverá os demais movimentos (e é impossível negar a necessidade do movimento da primeira pedra). Mas, a primeira pedra não pode mover-se a si mesma. Logo, ela precisa ser movida pelo motor que não faz parte do ciclo de pedras de denomino. O tempo ou a duração da queda é apenas a medida do fato, mas não constitui uma fonte de energia, pois o tempo que as peças de dominó levarão para cair não isenta a necessidade do primeiro movimento.

O primeiro Movente imóvel absoluto, segundo a Suma Teológica de São Tomás, tem os seguintes predicados:

a) Infinitamente Perfeito: toda mudança implica imperfeição. Como não há mudança no primeiro Movente Imóvel, ele possuiu a perfeição ou a plenitude do ser.
b) Ser Espiritual: a matéria se desgasta, é essencialmente imperfeita. Como o primeiro Movente imóvel é perfeito, ele não pode ser matéria.
c) Inteligente e Livre: estes predicados são essenciais de seres espirituais.
d) Eterno: não tem começo e não terá fim, pois a temporalidade é a medida do movimento (o movimento começa e termina).
e) Todo-poderoso: é o princípio do universo inteiro. Seu poder está presente a tudo aquilo que ele move ou a todo o universo.

Resumindo: A partir da experiência com Deus podemos chegar a sua existência pelos ‘argumentos convergentes e convincentes’. Eles têm como ponto de partida o mundo material e a pessoa humana. A primeira Via de São Tomás de Aquino é o ser Movente Imóvel ou Deus, que é causa de todo movimento. No próximo encontro falaremos sobre as outras vias da existência de Deus.

1 Nasceu por volta do ano de 1225, da família dos Condes de Aquino. Estudou primeiramente no mosteiro de Monte Cassino e depois em Nápoles. Ingressou na Ordem dos Frades Pregadores e completou os estudos em Parias e em Colônia, tendo tido como professor Santo Alberto Magno. Escreveu muitas obras de grande erudição, e, como professor, lecionou disciplinas filosóficas e teológicas, o que lhe valeu grande reputação. Morreu nas proximidades de Terracina, a 7 de março de 1274. Sua memória é celebrada a 28 de janeiro, data em que seu corpo foi transladado para Tolosa (França), em 1369. É considerado doutor da Igreja.

2 Escola Mater Ecclesiae. Curso de Filosofia. Módulos 40-42.

2 respostas para “Fé”

  1. Maria Ely Bruce disse:

    Estou gostando, mas é muito complicado.
    Conhecimento nunca é demais.

  2. SONIA MARIA VIEIRA VALENTE disse:

    Deus existe. Ele é o alfa e o ômega, o principio e o fim,

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